O blogue "Diário de um sociólogo" foi seleccionado em 2007 e 2008 pelo júri do The Bobs da Deutsche Welle - concurso internacional de weblogs, podcasts e videoblogs - como um dos dez melhores weblogs em português entre 559 concorrentes (2007) e um dos onze melhores entre 400 concorrentes (2008). Entrevista sobre o concurso de 2008 no UOL, AQUI.
Para todas aquelas e todos aqueles que visitarem este diário, os meus votos de um 2018 habitado pelo futuro, pela confiança, pela tranquilidade e pela saúde. Sintam-se bem e regressem sempre a este espaço criado a 18 de Abril de 2006. Abraço índico.
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30 novembro 2011

Vestuário político

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:
* Genéricos: Diversos
* Séries pessoais: Diário de campanha (9); Espíritos, doenças e médicos do invisível (7); Racismos (10); Pasteurização social (16); Contestação global e novas solidariedades (1); Consumidores machos, cervejas pretas fêmeas (17); Sobre a qualidade do ensino em Moçambique (31); Ditos (25); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (64)

A vida é muito complicada

Segundo o "Notícias" digital de hoje, Carlos Martins, membro da Assembleia Provincial de Cuamba pelo MDM, foi há dias detido pela polícia supostamente por ter sido surpreendido por simpatizantes da Frelimo a registar números de cartões de eleitores. Aqui. Segundo o "O País" digital, Carlos Martinho (certamente é a mesma pessoa acima referida), membro da Assembleia Provincial de Cuamba pelo MDM, agora em liberdade  provisória sob caução, esteve detido sob acusação de ter raptado e mantido em cárcere privado uma jovem surpreendida por uma brigada do MDM a registar endereços, nomes e números de cartões de eleitores num bairro, supostamente a favor do candidato da Frelimo a edil da cidade. Aqui.
Comentário: como amava dizer o arquitecto Mário Mabjaia em seus programas cómicos na televisão, a vida é muito complicada.

595ª foto (18:15)

"Diário de um fotógrafo", aqui

Diário de campanha (8)

Prossigo a série, abordando mais alguns pontos, mas lamentando sempre não poder estar no terreno observando e ouvindo.
Proximidade e distância. Os jornais e as televisões vão mostrando aspectos das campanhas eleitorais levadas a cabo por candidatos a edis e seus partidos nas cidades de Cuamba, Pemba e Quelimane. Aqui e acolá podemos verificar o esforço feito por alguns candidatos para criar um clima de proximidade, de intimidade pessoal com círculos de leitores, de ar de povo. Esses candidatos andam a pé (uns mais do que outros), visitam bairros de  carenciados, dançam, falam em línguas locais, mostram-se preocupados com as dificuldades locais, cumprimentam, cumprem certas tarefas domésticas em frente a senhoras, vão a cerimónias religiosas, visitam doentes, etc. Cria-se assim o efeito hipnótico da partilha de vida, os candidatos a governantes autárquicos exibindo o espectáculo de uma forma de ser circunstancial, que, depois, dificilmente manterão caso sejam eleitos. Não poucas vezes os 4x4 matam, afinal, as esperanças populares, esperanças de uma vida efectivamente melhorada.
Vestuário político eleitoral: este é um tema subtilmente abordado pelo "Expresso" de ontem de acordo com a imagem abaixo e que no próximo número procurarei explorar:
(continua)
Adenda 1: abordo múltiplos aspectos da engenharia eleitoral no seguinte livro: Serra, Carlos (dir), Eleitorado incapturável, Eleições municipais de 1998 em Manica, Chimoio, Beira, Dondo, Nampula e Angoche. Maputo: Livraria Universitária, 1999, 354 pp., confira especialmente pp. 43-243.
Adenda 2: recorde duas séries minhas, uma em 17 números intitulada Poder e representação: teatrocracia em Moçambique, aqui; outra, em 20 números, intitulada Para ganhar as eleições em Quelimane, aqui.
Adenda 3: o candidato da Frelimo em Quelimane, Lourenço Abubacar, tem uma página no facebook, aqui (propaganda promotora aqui); por sua vez, o candidato do MDM, Manuel de Araújo tem um portal na internet para a sua campanha, aqui. O Partido Humanitário de Moçambique não tem portal na internet, o mesmo sucedendo com o seu candidato a edil em Pemba, Emiliano Moçambique.
Adenda 4: "Diário da Zambézia" de hoje:
Adenda 5 às 6:40: confira "O País" aqui (compare com esta versão aqui) e aqui; "@Verdade"  aqui; "Notícias" aqui.
Adenda 6 às 14:50: segundo uma fonte, esperava-se um debate às 14 entre os dois candidatos a edil de Quelimane na Rádio Paz, emissora católica, mas o candidato da Frelimo não compareceu.

Moçambique 189

Aqui. Para traduzir, aqui.

Pasteurização social (15)

Décimo quinto número da série de um tema cujo sumário está aqui e cuja definição foi dada aqui.
7. Conspiração. Em que consiste a teoria da conspiração? Consiste em atribuir a causas externas de natureza secreta e diabólica a responsabilidade directa da existência de certos fenómenos sociais perturbadores. Esta é uma subtil e muito usada técnica de pasteurização social, destinada a eclipsar causas e responsabilidades internas. O conspiracionalismo pode assumir diversas modalidades.
Permitam-me prosseguir no próximo número.
(continua)

Teoria do conhecimento de Samora Machel (14)

"Ao pegarmos em armas para derrubar a ordem antiga, sentimos a necessidade de criar uma nova sociedade, forte, sã, próspera, em que os homens livres de toda a exploração colaborariam para o progresso comum" ( Samora Machel)
Término da série com o quinto ponto do sumário proposto aqui.
5. O futuro ou o passado do homem novo: uma questão samoriana. Há quem defenda que a aventura do homem novo em Moçambique foi unicamente uma aventura de mau gosto, em última análise trágica. Mas provavelmente há outros a defender que o homem novo não é uma questão do passado, mas uma questão do futuro, no nosso país e em outros países. Tudo depende, afinal, do significado e das práticas sociais que atribuímos ao que Samora - homem do futuro - chamava "ordem antiga". Estamos, afinal, confrontados com uma questão samoriana.
Sugestão: deixem-me sugerir-vos a leitura em 15 números da minha série intitulada A cada um segundo as suas necessidades, a cada um segundo o seu Samora, aqui.
(fim)

Antropologia do chamboco

Recensão crítica de um livro aqui. Para traduzir, aqui.

Desalojados anunciados

Com o título em epígrafe, um trabalho de David Brooks, aqui. Sobre o movimento Occupy Wall Street, confira aqui, aqui, aqui e aqui.Para traduzir, aqui. Foto reproduzida daqui.

29 novembro 2011

Amanhã

Antropologia do vestuário político eleitoral

Confira a partir de amanhã na continuidade da minha série Diário de campanha.
Adenda às 18:15: amanhã também, na mesma série, um jornal com a manchete abaixo:

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:
* Genéricos: Diversos
* Séries pessoais: Diário de campanha (8); Espíritos, doenças e médicos do invisível (7); Racismos (10); Pasteurização social (15); Contestação global e novas solidariedades (1); Teoria do conhecimento de Samora Machel (14); Consumidores machos, cervejas pretas fêmeas (17); Sobre a qualidade do ensino em Moçambique (31); Ditos (25); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (64)

Negócios em Moçambique

Aqui. Para traduzir, aqui.

Rebaixamento da dívida de 87 bancos da UE

"A agência de classificação de risco Moody's informou nesta segunda-feira que está revisando dívidas de 87 bancos europeus para possível rebaixamento." Aqui.
Sugestão de leitura: um artigo de Paul Singer aqui.

594ª foto (Senhora comendo)

"Diário de um fotógrafo", aqui

Diário de campanha (7)

Prossigo a série, abordando mais alguns pontos, mas lamentando sempre não poder estar no terreno observando e ouvindo.
Hábito e novidade. O hábito é a nossa carta de referência, a nossa maneira de ver as coisas na vida, a nossa maneira de orientar a vida; pelo contrário, a desconstrução é a novidade, é o jogo, a aventura, o romper das fronteiras dos hábitos. O que pretendo dizer com esta introdução abstracta? Pretendo dizer que as eleições em Cuamba, Pemba e Quelimane estão a ser um laboratório de ensaio para a luta entre duas posições: a posição do não vale a pena e a posição do vale a pena. A posição do não vale a pena remete para a crença de que, faça-se o que se fizer, sempre será o mesmo vencedor a recolher os louros; a posição do vale a pena remete para a crença em outros tipos de vencedores.
(continua)
Adenda 1: abordo múltiplos aspectos da engenharia eleitoral no seguinte livro: Serra, Carlos (dir), Eleitorado incapturável, Eleições municipais de 1998 em Manica, Chimoio, Beira, Dondo, Nampula e Angoche. Maputo: Livraria Universitária, 1999, 354 pp., confira especialmente pp. 43-243.
Adenda 2: recorde duas séries minhas, uma em 17 números intitulada Poder e representação: teatrocracia em Moçambique, aqui; outra, em 20 números, intitulada Para ganhar as eleições em Quelimane, aqui.
Adenda 3 às 6:14: referências em jornais digitais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
Adenda 4 às 7:50: o candidato da Frelimo em Quelimane, Lourenço Abubacar, abriu uma página no facebook, aqui (propaganda promotora aqui); por sua vez, o candidato do MDM, Manuel de Araújo abriu uma página na internet para a sua campanha, aqui; no portal da Frelimo, o último despacho sobre as eleições data de 25 de Novembro, aqui; no portal do MDM, o último despacho data de 29 de Novembro, aqui.
Adenda 4 às 9:07: o Partido Humanitário de Moçambique não tem portal na internet, o mesmo sucedendo com o seu candidato a edil em Pemba, Emiliano Moçambique. Veja este último em campanha num vídeo aqui.

Espíritos, doenças e médicos do invisível (6)

Prossigo a série, de acordo com o sumário proposto aqui.
3. Crença no uso positivo ou negativo das forças do invisível. No número anterior perguntei que forças do invisível estão em causa. E respondi da seguinte maneira: em primeiro lugar, as forças dos espíritos; em segundo lugar, as forças desencadeadas pela acção da magia. Em qualquer dos casos, trata-se de encontrar as causas e os antídotos, trata-se de construir o processo da verdade de um circuito que, afinal, é menos do foro da psicopatologia (termo que empreguei em número anterior) do que da sóciopatologia.
As causas da desordem sobrevinda não dizem respeito ao foro físico ou psíquico da (o) doente, esta (e) doente é apenas um passaporte, o receptáculo de um problema ou de um conjunto de problemas que a (o) ultrapassam. Como assim? É que o problema não é individual, mas colectivo.
Com a vossa permissão, prossigo mais tarde. Foto reproduzida daqui.
(continua)
Adenda: "Para se ter uma ideia, na África do Sul, enquanto há um médico para cada 20 mil habitantes, existe um curandeiro para cada 500 pessoas." Aqui.
Adenda 2: um trabalho do antropólogo Paulo Granjo intitulado "Saúde e doença em Moçambique", aqui.
Adenda 3 às 6:52: a história que dá origem a esta série (atribuição de um marido-espírito a uma jovem de 15 anos) está melhor contada no portal da Rádio Moçambique, aqui.

Mais de (quase) o mesmo

Resumo da tese de mestrado de Edson Robert de Oliveira Cortês, um estudante moçambicano que faz neste momento o doutoramento: "Este estudo procura perceber como a introdução do apoio directo ao orçamento pode ter contribuído para alteração das estruturas de oportunidades para apropriação dos bens públicos em Moçambique. (...) O estudo identifica um novo padrão de apropriação dos bens públicos baseado nas vantagens de acesso ao Estado por inerência do controlo do poder político por parte de um grupo restrito que, sendo proprietários ou sócios de empresas, possuem informação privilegiada sobre os actuais e futuros negócios do Estado." Aqui.

Magia

Tenho a vaga suspeita de que nascemos hoje, neste século, com um celular no ouvido. Talvez por isso não nos supreendamos com a espantosa magia da pequena caixa sem fio através da qual com alguns toques falamos ao telefone (podendo ver a imagem do interlocutor), enviamos mensagens rapidamente para qualquer parte do mundo e sabemos do mundo pela internet. A história está arredada da pequena caixa.

28 novembro 2011

Sinta

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:
* Genéricos: Diversos
* Séries pessoais: Diário de campanha (7); Espíritos, doenças e médicos do invisível (6); Racismos (10); Pasteurização social (15); Contestação global e novas solidariedades (1); Teoria do conhecimento de Samora Machel (14); Consumidores machos, cervejas pretas fêmeas (17); Sobre a qualidade do ensino em Moçambique (31); Ditos (25); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (64)

No "Correio da manhã" de hoje

Edição 3707, p. 3. Se quiser ampliar a imagem, clique sobre ela com o lado esquerdo do rato.
Observação:  seria possível ter em conta outros pontos. Por exemplo, não tocante à madeira, não é apenas o problema do "preço justo", mas, também, o problema do saque florestal injusto. Um segundo ponto diz respeito a uma abordagem que tenha em conta não categorias identitárias genéricas do tipo "africanos", mas categorias sociais  precisas que eventualmente tirem benefícios da desigualdade preçária. Em seu importante artigo, Mandlate passa perto do fenómeno com o seu binómio "minoria/maiorias", mas não entra nele.
Adenda às 15:34: verifiquei que a crónica de Mandlate foi anteriormente inserta no portal da "Rádio Moçambique" em Agosto, confira aqui.

Quase nas 600

Quase nas 600 fotos no "Diário de um fotógrafo", aqui

Diário de campanha (6)

Prossigo a série, abordando mais alguns pontos, mas lamentando sempre não poder estar no terreno observando e ouvindo.
Promessas. Os relatos das campanhas transmitidos pelos jornais e pelas estações televisivas são um reportório sem fim de promessas feitas pelos candidatos a edis. Do lado da Frelimo promete-se prosseguir o trabalho dos edis anteriores, melhorando-o; do lado do MDM e do Pahumo, promete-se fazer coisas novas. A propaganda política contém material pluridimensional de muita riqueza. Frequentemente, não lhe prestamos suficiente atenção. A maior parte de nós acha que nada ganha estudando-a ou que tudo nela é transparente e supérfluo. É fundamental, porém, lutar contra a ilusão de transparência dos factos sociais. Na verdade, por baixo das palavras, das figuras de estilo, das metáforas, dos programas, etc., esconde-se toda uma panóplia de fenómenos que surgem exacerbados nos momentos de competição política. Esses fenómenos correspondem a momentos vitais e muito dinâmicos da vida social e, conjugados com outros instrumentos analíticos, permitem ampliar consideravelmente a visibilidade do objecto de pesquisa. Fazer alguma análise de conteúdo dos discursos e das intervenções dos actores políticos devia constituir uma das vertentes do trabalho jornalísticos. Mais concretamente: (1) programas, estratégia comunicacional e coerência discursiva dos candidatos; (2) metáforas de campanha.
(continua)
Adenda 1: abordo múltiplos aspectos da engenharia eleitoral no seguinte livro: Serra, Carlos (dir), Eleitorado incapturável, Eleições municipais de 1998 em Manica, Chimoio, Beira, Dondo, Nampula e Angoche. Maputo: Livraria Universitária, 1999, 354 pp., confira especialmente pp. 43-243.
Adenda 2: recorde duas séries minhas, uma em 17 números intitulada Poder e representação: teatrocracia em Moçambique, aqui; outra, em 20 números, intitulada Para ganhar as eleições em Quelimane, aqui.
Adenda 3 às 6:06: cobertura em jornais digitais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui; um comunicado do Conselho Superior de Comunicação Social, aqui.
Adenda 4 às 6:20: compare-se a descrição feita pelo jornalista Horácio João da campanha do candidato da Frelimo em Quelimane aqui com a do candidato do MDM aqui.
Adenda 5 às 6:59: no portal da "Rádio Moçambique", aqui.
Adenda 6 às 12:45: "Diário da Zambézia" aqui:

Ideias e categorias

Ideias e categorias de análise são produto social da vida, da realidade do que e do como fazemos, da educação que recebemos, das relações que entabulamos com outros, das relações que temos com a natureza. Por outras palavras, ideias e categorias de análise não são produto delas mesmas, não nasceram nem nascem por geração espontânea. Portanto, mudanças sociais não ocorrem apenas porque mudamos de ideias e de categorias analíticas, é preciso que as relações de produção e distribuição também mudem. Porém, temos de evitar a visão mecanicista das coisas e ter em conta que muitas vezes ideias e categorias analíticas permanecem apesar de as relações de produção e distribuição terem mudado.

Todos somos "ocupa"

Um texto da novelista e guionista indiana Arundhati Roy a propósito do movimento Occupy Wall Street, aqui. Confira igualmente aqui. Para traduzir, aqui. Recorde neste diário aqui.

Dhlakamismo: Clausewitz à moçambicana (25)

A política é uma guerra sem derramamento de sangue; a guerra, uma política com derramamento de sangue (Mao Tse Tung)
O vencedor é sempre amigo da paz (Carl von Clausewitz)
O término da sérieno sétimo número do sumário, a saber: Dhlakamismo: Clausewitz à moçambicana.
A imagem que Dhlakama e alguns dos seus mais próximos e intervenientes colaboradores têm transmitido é a da ameaça de retorno à guerra ou, nas mais recentes formulações, de desencadeamento de manifestações que - sustentam - irão desalojar a Frelimo do poder, eventualmente algo como a "Primavera Moçambicana", inspirada nas manifestações do mundo árabe. A mensagem castrense é permanente, estamos perante exercícios sistemáticos de violência verbal destinados a preparar a submissão real do adversário. Na concepção de von Clausewitz, a política ostenta vários rostos, esse é apenas um deles. Temos, assim, Clausewitz à moçambicana.
Sobre Clausewitz, confira aqui.
(fim)

Cartun de Leilo Albano

Moçambicano, chama-se Leilo Albano e é cartunista, artista gráfico e web designer. Enviou-me, com pedido de publicação, alguns cartuns produzidos este ano, ainda inéditos, que farei sair às segundas-feiras. A sua biografia e o seu blogue encontram-se aqui. Abaixo, o segundo cartun:

27 novembro 2011

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:
* Genéricos: Diversos
* Séries pessoais: Diário de campanha (6); Espíritos, doenças e médicos do invisível (6); Racismos (10); Pasteurização social (15); Contestação global e novas solidariedades (1); Teoria do conhecimento de Samora Machel (14); Consumidores machos, cervejas pretas fêmeas (17); Sobre a qualidade do ensino em Moçambique (31); Dhlakamismo: Clausewitz à moçambicana (25); Ditos (25); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (64)

593ª foto (Pés femininos dançando 4)

"Diário de um fotógrafo", aqui

Diário de campanha (5)

Prossigo a série, abordando mais alguns pontos, mas lamentando sempre não poder estar no terreno observando e ouvindo.
Morte. Reportou um jornal digital que a candidata do MDM a edil de Cuamba, Maria Moreno, prometeu melhorar a qualidade dos serviços funerários locais caso seja eleita. Sem dúvida que é uma preocupação digna. Lembrei-me, então, de que em 1998 um candidato a edil numa cidade do país prometia caixões gratuitos caso fosse eleito. Este tema da morte é, sempre, uma coisa delicada em campanha políticas destinadas aos vivos.
Alcunhas. O povo tem o saudável costume de atribuir a certas pessoas um rótulo, um cliché, uma alcunha, um nome ou uma expressão humorística baseada num traço físico ou de carácter. Se eu estivesse no terreno, procuraria saber que alcunhas são atribuídas aos candidatos a edis. Essas alcunhas podem ser importantes repositórios da história e das expectativas populares.
Séniores. Em Quelimane estão quadros séniores da Frelimo e do MDM, está lá o próprio presidente deste segundo partido, claro indicador da importância política da cidade.
(continua)
Adenda 1: abordo múltiplos aspectos da engenharia eleitoral no seguinte livro: Serra, Carlos (dir), Eleitorado incapturável, Eleições municipais de 1998 em Manica, Chimoio, Beira, Dondo, Nampula e Angoche. Maputo: Livraria Universitária, 1999, 354 pp., confira especialmente pp. 43-243.
Adenda 2: recorde duas séries minhas, uma em 17 números intitulada Poder e representação: teatrocracia em Moçambique, aqui; outra, em 20 números, intitulada Para ganhar as eleições em Quelimane, aqui.

Racismos (9)

Nono número da série, baseado numa ideia de Pierre Bourdieu, apresentada aqui. Ainda no quinto número do sumário proposto:
5. Racismo académico. Por séculos, a divisão social do trabalho no modo capitalista  de produção e distribuição deu origem a uma classe especializada na produção e na disseminação de um determinado tipo de conhecimento: a classe dos académicos. Ancorada na convicção de um conhecimento superior da realidade natural e social, esta classe da aristocracia epistemológica tem sido responsável por um enorme epistemicídio em relação às formas de conhecimento populares. É neste sentido que falo de racismo académico.
Com a vossa permissão, prossigo mais tarde. Imagem reproduzida daqui.
(continua)

Custo financeiro da emigração de médicos da África subsariana

Dois bilhões de dólares é quanto já custou aos países da África subsariana a emigração dos seus médicos em busca de melhores condições nos países mais prósperos, sendo o Zimbabwe e a África do Sul os países mais prejudicados - conheça os resultados de um estudo conduzido pelo Professor Edward Mills com o tema em epígrafe, divulgado originalmente aqui. Para resumo em português, confira aqui.

E se os Moçambicanos fossem Chineses? (20)

"Espere o melhor, prepare-se para o pior e receba o que vier." (provérbio chinês)
O término da série, com o último ponto do sumário, a saber: Se os Moçambicanos fossem Chineses: um prognóstico. E, sempre, trabalhando apenas com hipóteses e dúvidas.
Recordo a pergunta que coloquei no número anterior: se as posições geopolíticas mundiais fossem alteradas e os Moçambicanos tivessem  o poder e a hegemonia dos Chineses, procederiam como eles? Não sei - é, naturalmente, a minha resposta. Porém, se tivermos em conta que os seres humanos fazem a história mas não nas condições por eles escolhidas, que a fazem condicionados por relações e determinismos historicamente criados; se  tivesse sido possível à roda da história andar de forma diferente e colocar-nos na posição de grande potência, então talvez se pudesse dizer que os Moçambicanos procederiam como os Chineses, culturalmente de forma diferente, mas politicamente também de jeito digamos que mandão, no relacionamento com povos menos favorecidos em recursos de poder.
(fim)
Leitura recomendada: Feijó, João, Relações sino-moçambicanas em contexto laboral - uma análise de empresas em Maputo, in Serra, Carlos, A construção social do Outro, Perspectivas cruzadas sobre estrangeiros e Moçambicanos. Maputo: Imprensa Universitária, 2010, pp. 225-296.

Pasteurização social (14)

Décimo quarto número da série de um tema cujo sumário está aqui e cuja definição foi dada aqui.
7. Conspiração. Inicio o ponto sétimo do sumário. A pasteurização social é rica em recursos e mecanismos. Um dos mais frequentes recursos de obscurecimento de certas realidades encontra-se na teoria da conspiração. Em que consiste essa teoria?
Permitam-me prosseguir no próximo número.
(continua)

Crise mundial chega à China

Na Carta Maior: "A crise mundial está chegando a China. As exportações caíram pelo quarto mês consecutivo, a produção fabril está em seu pior momento em 34 meses e uma onda de conflitos trabalhistas está sacudindo um país que não tem o direito constitucional à greve. Nos últimos dez dias mais de 10 mil trabalhadores na província sulista de Cantão, coração das zonas especiais do “milagre chinês”, pararam suas atividades." Aqui.

"À hora do fecho"/"Savana"/25-11-2011

Na última página do semanário "Savana" existe sempre uma coluna de saudável ironia que se chama "À hora do fecho". Naturalmente que é necessário conhecer um pouco a alma da vida local para se saber que situações e pessoas são descritas. Deliciem-se com "A hora do fecho" desta semana, da qual ofereço, desde já, um aperitivo:
* Os detractores do jovem tigre estão possessos.(...).

26 novembro 2011

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:
* Genéricos: Diversos; "À hora do fecho" no "Savana" (Edição de 25/11/2011)
* Séries pessoais: Diário de campanha (5); Espíritos, doenças e médicos do invisível (6); Racismos (9); Pasteurização social (14); Contestação global e novas solidariedades (1); Teoria do conhecimento de Samora Machel (14); Consumidores machos, cervejas pretas fêmeas (17); Sobre a qualidade do ensino em Moçambique (31); E se os Moçambicanos fossem Chineses? (20); Dhlakamismo: Clausewitz à moçambicana (25); Ditos (25); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (64)

592ª foto (Pés femininos dançando 3)

"Diário de um fotógrafo", aqui

Diário de campanha (4)

Prossigo a série, abordando mais alguns pontos, mas lamentando sempre não poder estar no terreno observando e ouvindo.
Renamo e MDM. Escrevi no penúltimo número que em Quelimane a Renamo parece apoiar o MDM. Mas isso não pode ser tomado como dado absoluto. Há dias, na Beira, o delegado político da Renamo acusou o MDM de fazer transportar em três camiões cidadãos da Beira para votarem em Quelimane. Este é um indicador da rivalidade entre partidos da oposição. Quando os partidos da oposição estão minados pelas rivalidades e pela busca de recursos de poder, os partidos no poder podem viver e reinar tranquilamente na economia de esforços, no riso gozão e, aqui e acolá, podem, até, premiar os bem-comportados.
Cerimónias de propiciação. Os seres humanos sem dúvida que fazem a sua história, mas não nas condições por eles escolhidas. Eleições podem ter características universais, mas pagam tributo aos costumes locais. Assim, por regra nos países africanos, as cerimónias de propiciação são normais nos preparativos dos candidatos eleitorais. Propiciar os espíritos, os deuses, a boa sorte. Em Quelimane ambos os candidatos fizeram isso no clássico "mucutho". Infelizmente os jornalistas não exploram estes momentos, talvez os considerem banais.
No próximo número falar-vos-ei das alcunhas.
(continua)
Adenda 1: abordo múltiplos aspectos da engenharia eleitoral no seguinte livro: Serra, Carlos (dir), Eleitorado incapturável, Eleições municipais de 1998 em Manica, Chimoio, Beira, Dondo, Nampula e Angoche. Maputo: Livraria Universitária, 1999, 354 pp., confira especialmente pp. 43-243.
Adenda 2: recorde duas séries minhas, uma em 17 números intitulada Poder e representação: teatrocracia em Moçambique, aqui; outra, em 20 números, intitulada Para ganhar as eleições em Quelimane, aqui.

Maka Angola

Teta financeira: a tecnologia do desfalque - novo trabalho de Rafael Marques de Morais no seu portal, aqui.

Líbia: luta por recursos de poder

Na Líbia pós-Kadafi, grupos políticos e tribos exigem ser contemplados na distribuição de recursos de poder ao nível do Estado - confira aqui e aqui. O país tem mais de 140 tribos e clãs, recorde neste diário aqui.

Acomodados

Num blogue, com o título em epígrafe: "Crescemos sem uma ideologia, sem uma causa. Tudo estava pronto. O que não significa que não haja nada para mudar, mas ficamos apáticos." Aqui.

25 novembro 2011

Hoje: dia internacional da eliminação da violência contra a mulher

Confira aqui. Recorde uma série minha em seis números intitulada Masculinismo e feminismo, aqui. O conteúdo figura no catálogo e na folha de uma exposição sobre "Violência e masculinidade" presente no Centro Cultural Brasil-Moçambique, cidade de Maputo.

Postagens na forja

Eis alguns dos temas que, progressivamente, deverão entrar neste diário a partir da meia-noite local:
* Genéricos: Diversos
* Séries pessoais: Diário de campanha (4); Espíritos, doenças e médicos do invisível (6); Racismos (9); Pasteurização social (14); Contestação global e novas solidariedades (1); Teoria do conhecimento de Samora Machel (14); Consumidores machos, cervejas pretas fêmeas (17); Sobre a qualidade do ensino em Moçambique (31); E se os Moçambicanos fossem Chineses? (20); Dhlakamismo: Clausewitz à moçambicana (25); Ditos (25); O que é Moçambique, quem são os Moçambicanos? (64)

Prismas

Decorreu ontem mais uma sessão da Assembleia da República. Comparem-se os primas descritivos adoptados pelo "Notícias" aqui e pelo "Canal de Moçambique" aqui.

Moçambique 188

Aqui. Para traduzir, aqui.

591ª foto (Pés femininos dançando 2)

"Diário de um fotógrafo", aqui

Diário de campanha (3)

Prossigo a série, abordando mais alguns pontos, mas lamentando sempre não poder estar no terreno observando e ouvindo.
Conflito das interpretações. As campanhas eleitorais são sempre um excelente laboratório para estudarmos muitos fenómenos, tal como mostra o livro constante da primeira adenda mais abaixo. Por exemplo, no "campo semântico do mostrado-oculto" (para usar uma expressão de Paul Ricoeur), na semântica das expressões de múltiplo sentido. O que quero sugerir? Quero sugerir que seria interessante estudar e comparar o que os candidatos dizem ou querem dizer e o que os eleitores, em sua diversidade social, acham que eles querem dizer ou realmente disseram. Não é o que dizemos que é importante, mas o que os outros acham que dizemos em função das suas expectativas. O "conflito das interpretações" (para usar de novo uma expressão de Ricoeur) é um dos campos maiores (mas infelizmente esquecidos) na análise da discursividade política de campanha.
Sátira e rumores. O estudo das formas populares de satirizar os candidatos e a propagação de rumores sobre eles ou sobre a campanha eleitoral, são outros dois campos merecedores de estudo.
Repetição. Alguém de um partido A afirma que o partido B está a usar meios do Estado em sua campanha. Logo de seguida alguém do partido B afirma que o partido A apenas revela que já está vencido. Este é um fenómeno que regressou ao cenário de campanha e que é merecedor de análise.
MDM. O MDM joga uma cartada: a de querer mostrar em três cidades do país que tem credibilidade urbana. O certo é que a Frelimo deslocou para as três cidades, para apoio e conselho aos seus candidatos, muitas das suas figuras séniores.
(continua)
Adenda 1: abordo múltiplos aspectos da engenharia eleitoral no seguinte livro: Serra, Carlos (dir), Eleitorado incapturável, Eleições municipais de 1998 em Manica, Chimoio, Beira, Dondo, Nampula e Angoche. Maputo: Livraria Universitária, 1999, 354 pp., confira especialmente pp. 43-243.
Adenda 2: recorde duas séries minhas, uma em 17 números intitulada Poder e representação: teatrocracia em Moçambique, aqui; outra, em 20 números, intitulada Para ganhar as eleições em Quelimane, aqui.
Adenda 3 às 6:12: confira jornais digitais aqui, aqui e aqui.
Adenda 4 às 11:42: "Diário da Zambézia" aqui.